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Dando continuidade à trajetória ascendente, observada desde maio de 2016, a confiança dos micro e pequenos empresários de varejo e serviços (MPEs) voltou a subir em fevereiro, e atingiu 52,5 pontos, sendo o maior nível da série histórica, iniciada em maio de 2015

– Em janeiro, o patamar foi de 51 pontos. Os números, divulgados, ontem, constam do Indicador de Confiança MPEs, calculado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

Na comparação com fevereiro de 2016, quando marcou 43 pontos, o indicador avançou 9,5 pontos. Já na comparação com janeiro de 2017, o aumento foi de 1,5 ponto. Em termos percentuais, a variação anual foi de 22,1% e a mensal de 2,9%. Apesar do crescimento observado, ainda assim, o número demonstra otimismo moderado – quanto mais próximo de 100, mais otimistas estão os empresários, e quanto mais próximo de zero, menos confiantes estão. O indicador é considerado otimista quando marca mais de 50 pontos e pessimista ao marcar menos de 50; caso marque 50, é considerado neutro.

Comportamento
Em fevereiro de 2017, o subindicador de expectativas registrou 65,4 pontos, 10,9 a mais sobre igual período de 2016, quando marcou 54,5. Por outro lado, o subindicador de condições gerais permanece abaixo do nível neutro: foram registrados 35,2 pontos, um aumento de 7,5 pontos na escala em comparação a fevereiro de 2016.

Em termos percentuais, 66% dos empresários disseram estar confiantes com seus negócios, contra 11% que não estão. Entre os confiantes, 34% têm o sentimento de que as coisas irão melhorar, mas não sabem ao certo por que estão confiantes, 30% afirmam estar fazendo boa gestão do negócio e 13% dizem que a economia está dando sinais de melhora. Entre os pessimistas, 55% dizem que a crise econômica pode continuar, 17% afirmam que as vendas foram tão afetadas que não conseguem mais se recuperar e para 13% a procura de seus produtos não vai aumentar pelo fato de ser considerado supérfluo.
Na avaliação dos últimos seis meses, 61% dos entrevistados consideraram que a economia piorou, contra apenas 13% que observaram alguma melhora. Com relação aos próprios negócios, 49% consideraram que houve piora e 17,5% entenderam que houve melhora. No entanto, o índice permanece abaixo do nível neutro.

Projeções
Metade dos MPEs esperam que o faturamento cresça nos próximos seis meses (51%), enquanto 35% dizem que o faturamento não irá se alterar e 8% alegam que irá cair. Com relação ao futuro da economia, 57% estão otimistas, sendo que 45% novamente não sabem explicar o motivo do otimismo, apesar de estarem com o sentimento, 21% dizem que indicadores econômicos apresentam sinais de melhora e 17% afirmam que a crise política será resolvida. 16% afirmam estar pessimistas, sendo que 35% têm este sentimento em razão de incertezas políticas, 23% acreditam que os problemas econômicos são graves e 20% dizem que as vendas ainda estão caindo.

Metodologia
O Indicador e suas aberturas mostram que houve melhora quando os pontos estiverem acima do nível neutro de 50 pontos. Quando o indicador vier abaixo de 50, indica que houve percepção de piora por parte dos empresários. A escala do indicador varia de zero a 100, sendo que zero indica a situação limite em que todos os entrevistados consideram que as condições gerais da economia e dos negócios “pioraram muito”; e 100 indica a situação limite em que todos os entrevistados consideram que as condições gerais “melhoraram muito”. Os dados são baseados nas avaliações dos MPEs com relação às condições gerais da economia e do ambiente de negócios, além das expectativas para os próximos seis meses, tanto para a economia quanto para as empresas.

Apesar do otimismo, tensão ainda preocupa

“Apesar de positivos, os dados devem ser vistos com cautela, já que ainda há tensão política e riscos à recuperação econômica. A consolidação da confiança e a retomada do crescimento dependerão, entre outras variáveis, do sucesso das reformas propostas pelo governo”, evidencia o presidente da CNDL, empresário cearense Honório Pinheiro. Para ele, a melhora da confiança coincide com diversas medidas que o Governo está colocando em pauta para retomar o crescimento do País. “Notícias positivas como recuo da inflação, aceleração no corte de juros aliadas à liberação de recursos do FGTS podem favorecer os setores de comércio e serviços, uma vez que estes recursos poderão ser destinados ao pagamento de dívidas e ao consumo, aliviando assim a inadimplência e impulsionando as vendas”, explica.

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, a avaliação dos últimos meses não poderia ser diferente. Isso porque, apesar de algumas medidas adotadas pelo Governo Federal para reaquecer a economia, os resultados ainda não se mostram satisfatórios. “A percepção que os empresários têm dos últimos meses vem melhorando, mas o sentimento da maioria ainda é de que a situação está ruim. Isso acontece porque os sinais da recuperação econômica ainda são muito tímidos e não chegaram ao dia a dia do empresariado”, ponderou.

Fonte: O Estado-CE – sexta-feira, 03 de março 2017

 


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