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Trabalho informal ou segunda ocupação exigem readequação na utilização da renda, que passa por mudança no estilo de vida e controle de despesas

São Paulo – Com o ainda alto índice de desemprego no País (13,1 milhões de pessoas) e a queda da renda dos trabalhadores , aumenta a importância de um trabalho adicional (bico) para completar o orçamento familiar.

Segundo a educadora financeira da DSOP Educação Financeira, Cíntia Senna, é mais normal do que parece algumas pessoas terem que somar dois empregos ou viverem só dos conhecidos bicos para assim conseguirem quitar seus débitos e sustentarem suas casas. Entre junho e agosto desse ano, cerca 70% das vagas de trabalho foram geradas no trabalho informal. A especialista aconselha que, diante das adversidades, ter uma visão do todo é essencial para que as finanças não saiam do controle.

“Ultimamente as pessoas têm buscado alternativa e mais fontes de renda. A principal orientação para elas é analisar quais são seus objetivos, quais cursos desejam seguir”, aponta a educadora. “Muitas vezes, mesmo com dois ou três salários, de bico ou renda própria, continua-se gastando muito, e isso mantém a impressão de que não se está ganhando bem ou o suficiente. O correto é identificar a renda principal e destiná-la para os gastos prioritários – educação, casa, família, casa. E com o recurso extra investir em alguns objetivos, como uma viagem no final do ano”, continua Senna.

Como alertam os especialistas consultados pelo DCI, é contraproducente aumentar as fontes de renda e não diminuir o estilo de vida, que prejudica financeiramente as próprias contas. “Quem tem algum tipo de complemento tem que se adequar dentro do orçamento do emprego formal. Claro, é melhor que ela tenha um complemento através de bicos do que realizar uma tomada de crédito. Mas ter uma receita incerta também não é bom. É importante que verifiquemos se a conta não fecha justamente por causa de um estilo de vida que não entra no orçamento. Existe um costume de viver acima de suas possibilidades”, analisa o educador financeiro do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e do portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli.

A partir de uma boa análise de suas próprias finanças, é necessário mensurar qual será o impacto de suas fontes primárias de renda, e assim ter mais facilidade para entender no que uma fonte de renda extra – seja de um segundo emprego ou de um bico – irá realmente surtir efeito em suas economias. “Fazendo essa análise, além do gasto mensal, é necessário verificar o que foi contraído de dívidas lá atrás, e com isso conferir porque os rendimentos não terem sido suficientes, e aonde eu consigo reduzir para tudo encaixar dentro do orçamento. Nesse momento você também pode avaliar o que realiza em sua atividade, se compensa buscar outras fontes ou aprimorar o que faz”, explica Cíntia Senna.

Uma vez com as finanças equilibradas, uma segunda renda pode ser útil para impedir que justamente novas dívidas sejam contraídas com o tempo, através de uma poupança de emergência. “Quando é feita uma revisão no modo de viver, já se consegue ver quais recursos serão dirigidos para um objetivo extra. E a partir disso, todo esforço é positivo”, diz José Vignoli.

Renda irregular

Embora os bicos possam preencher buracos no orçamento, em diversas oportunidades eles se transformam na renda principal das famílias como a única fonte. Em alguns casos, existe a procura por trabalhos de renda irregular em substituição ao emprego formal. “Transições sempre são bem-vindas, e precisam ser planejadas. O que se pode fazer de experiência é testar em paralelo ao que já se faz hoje, conhecendo público e mercado”, diz Cíntia Senna.

No entanto, trabalhar com recebimentos diários pode criar a ilusão de ter mais dinheiro, e assim condicionar mais gastos. “Entrar dinheiro todo dia pode gerar uma autosabotagem. As pessoas recebem um valor e acabam gastando com coisas menores, e falta para gastos fixos. Muitos mudam o padrão de recebimento, perdem o controle de como reservar esse valor “, diz.]

 

Fonte: DCI – por Gabriel Proiete de Souza

 


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