Compartilhe!

Para tirar a ideia do papel, melhorar a produtividade, promover o crescimento ou até mesmo encontrar um novo sócio ou dono, diversas entidades atuam com consultorias e mentorias

– Há vinte anos não havia a palavra “empreendedorismo” no Brasil. Em compensação, hoje o empreendedor conta com entidades de apoio como ABStartups, Aliança Empreendedora, Sebrae e Endeavor.

Estas empresas atuam em setores e etapas distintas do ciclo de vida dos empreendimentos, mas, em comum, todas compartilham conhecimento. “Histórias inspiradoras têm efeito multiplicador. Elas fazem outro empreendedor pensar que ele também pode”, afirma o diretor- geral da Endeavor no Brasil, Juliano Seabra.

Uma conquista para quem quer ter um negócio foi a criação do regime do Microempreendedor Individual (MEI), em 2009, aponta Lina Maria Useche Jaramillo, da Aliança Empreendedora. “Isso possibilitou que milhões de empreendimentos que antes funcionavam informalmente pudessem regularizar sua atividade sem grandes dificuldades.”

Hoje mais de 7,3 milhões de pessoas têm registro MEI. São empreendedores como Adriana Costa, 31 anos, criadora da marca de acessórios veganos e sustentáveis Agama. Adriana queria aprender sobre marketing e melhorar suas vendas quando conheceu a Aliança Empreendedora, em abril de 2016. “A principal lição foi perceber o que eu queria para a empresa. Melhorei a identidade visual para mostrar o propósito da marca”, o que foi um salto gigantesco para o negócio.” Hoje, diz Adriana, a Agama conseguiu um volume de vendas ao mês 40% maior do que registrava no início de 2016.

Diferentes perfis

A Aliança Empreendedora oferece apoio a microempreendedores e tem presença em todos os estados do País, por meio de 97 organizações parceiras, além das sedes em São Paulo e Curitiba. “Oferecemos desde metodologia para ajudar empreendedores a tirar a ideia do papel até projetos voltados para empreendedores na ativa interessados em melhorar a gestão”, conta Lina Jaramillo. A formação é gratuita e dura aproximadamente três meses. Após o curso, o empreendedor pode ter mentoria por um semestre.

Outro caminho para os empreendedores no início é o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que oferece diversos programas para os mais variados perfis e momentos de um negócio. A empreendedora Vanessa Vilela, 39 anos, da Kapeh Cosméticos, por exemplo, utilizou a consultoria do Programa Sebraetec para implantação de ações sustentáveis e desenvolvimento de produtos, em 2011. Na época, a empresa criada em 2007 para produção de cosméticos com extrato de café contava com sete funcionários. Hoje, são 20 colaboradores diretos e cem indiretos. O Sebraetec é o programa do Sebrae que viabiliza o acesso à tecnologia e inovação para pequenas empresas por meio de subsídios. A Kapeh recebeu subsídios de até 70% dos custos para viabilizar as consultorias.

Vanessa agora conta novamente com o Sebrae, desta vez para o desenvolvimento de leiaute de quiosques inspirados na loja-conceito da marca, em Varginha (MG), para franquias. “O Sebrae está sendo fundamental neste processo de expansão da marca”, conta.

Startups e crescimento

Se iniciar um empreendimento é um desafio, escalar o negócio é uma etapa totalmente diferente, que requer outras habilidades. “A receita de sucesso de um empreendedor que lançou uma empresa não é a mesma que vai levá-lo a um faturamento superior”, explica Juliano Seabra, da Endeavor. Afinal, há etapas distintas entre atingir um faturamento de R$ 1 milhão e outro de R$ 50 milhões. Por isso, a entidade atua junto a empreendedores na fase de crescimento.

A organização tem dois programas: o Scale-up, de aceleração; e o Empreendedores Endeavor, que seleciona empresas para um relacionamento de longo prazo. Atualmente, 96 empresas são apoiadas pela organização no Brasil. Linda Rottenberg, uma das fundadoras, conta que não havia a palavra empreendedor no Brasil quando a organização começou a operar no país, em 2000.

Um problema recorrente observado por Juliano é que os empreendedores têm dificuldade em estabelecer bons acordos entre os acionistas desde o começo. “É comum que uma empresa morra devido a desavenças que não estavam previstas no começo.” Para evitar essas “armadilhas” a Endeavor avalia quais desafios a empresa está enfrentando e a coloca em contato com mentores que podem contribuir com a própria experiência.

A Méliuz, startup que oferece cashback (retorno de uma parte do pagamento) foi uma das selecionadas em 2016 para fazer parte dos Empreendedores Endeavor. O fundador e CFO da Méluiz, Ofli Campos Guimarães, 32 anos, diz que houve conversas com a Endeavor desde 2012. “Em abril de 2015, decidimos que estava na hora de participar da seleção”, conta.

Quem participa dos programas da Endeavor paga uma mensalidade que cobre os seus custos. Além disso, todos são incentivados a devolver tempo e energia ao ecossistema de empreendedorismo, sendo mentores e investindo recursos em outras empresas que estão começando.

Ao entrar em contato com empreendedores experientes, o novato muitas vezes percebe a importãncia do erro. “O que acontece muito é de o segundo ou até mesmo o terceiro negócio dar certo, quando você tem mais experiência, como foi o meu caso”, conta Rafael Ribeiro, diretor executivo da ABStartups. Antes de se tornar executivo da ABStartups, Rafael era um empreendedor associado da entidade. Como associado, ele diz que uma grande contribuição da ABStartups foi facilitar o acesso ao mercado quando decidiu pela venda do seu negócio do setor educacional. “Consegui ser recebido por grandes empresas do segmento, como Kroton e Estácio.”

A ABStartups promove eventos nos quais empreendedores podem interagir e fazer parcerias, como a Conferência Anual de Startups e Empreendedorismo (CASE), maior evento de startups da América Latina. A CASE abriu oportunidades para a Iugu, startup de serviços financeiros. “Temos o foco em empresas pequenas e médias, então o evento deu um bom resultado”, diz Marcelo Paez Sequeira, 31 anos, COO da Iugu.

Além disso, há na ABStartups ações menores e comitês específicos de alguns setores. Segundo Bruno Diniz, diretor do comitê de fintechs (startups de tecnologia para serviços financeiros), a missão do comitê é contribuir para melhorar o ambiente de negócios e ampliar a colaboração entre empresas e stakeholders (públicos diversos) dos mercados financeiros nacional e internacional.

Fonte: 05/10/2017 – Jornal DCI


Compartilhe!