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Fórum Econômico Mundial estima queda do número de empregos de “colarinho branco” e aumento nas áreas de Ciências Exatas

É provável que seu filho trabalhe em uma profissão que você nunca ouviu falar. A previsão é do Fórum Econômico Mundial, no relatório Futuro do Trabalho: 65% das crianças que estão começando o primário devem trabalhar em empregos que ainda não existem. Contudo, também há impactos imediatos.

Em 15 economias avaliadas, até 2020 o número de empregos perdidos devido a avanços tecnológicos e a fatores socioeconômicos pode chegar a 7,1 milhões – e não são apenas “trabalhos braçais”. Dois terços estão relacionados a funções de “colarinho branco”, como funções administrativas e de escritório, diz o estudo, publicado em 2016.

 “Sem uma ação urgente e orientada para gerenciar as transições de curto prazo e desenvolver uma força de trabalho com habilidades profissionais modernas, os governos terão de lidar com uma base crescente de desempregados e da desigualdade, e negócios com uma base menor de consumidores”, alerta Klaus Schwab, presidente executivo do Fórum Econômico Mundial.

Professora de Sociologia do Trabalho da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Maria Aparecida da Cruz Bridi reforça a necessidade de atualização profissional. “Os professores, por exemplo, assumiram ao longo dos anos algumas funções de secretaria. São novas demandas que qualquer atividade tradicional precisa se adequar”, comenta.

O alerta de especialização também consta no relatório do Fórum Econômico: “Os trabalhos que vão reduzir em número estão simultaneamente sofrendo alterações constantes nas habilidades exigidas. Praticamente em todas as indústrias o impacto da tecnologia e de outras transformações reduz o ‘prazo de validade’ das habilidades dos trabalhadores”.

A doutora da UFPR lembra outro fator que deve ser levado em conta. “Essas mudanças sempre ocorreram, mas elas podem ser mais lentas do que se imagina. Enquanto há mão de obra barata, os empresários não precisam automatizar imediatamente. Sempre existe um cálculo de custo benefício e muitas pessoas em profissões com técnicas rudimentares”, constata.

Sorte ou azar?

Se por um lado funções administrativas terão menos trabalhadores, até o final da década cerca de 2 milhões de novos empregos devem ser abertos relacionados às áreas de informática, matemática, arquitetura, engenharia e áreas relacionadas, conforme estimativa do relatório. “Com o desenvolvimento da tecnologia algumas profissões vão perdendo protagonismo e surgem novas categorias. Foi o que aconteceu com o callcenter e com a produção de vídeo”, exemplifica Maria Aparecida.

As mudanças também podem reforçar o crescimento de trabalhadores autônomos. Especialista em estudos relacionados à área de tecnologia da informação, a doutora comenta os resultados de pesquisas realizadas pelo núcleo de Grupo de Pesquisa Trabalho e Sociedade da UFPR:

“Nossas pesquisas empíricas mostram que os mais jovens tendem até a ver com bons olhos trabalhar por conta própria no início, mas quando casam e têm filhos tendem a buscar opções mais estáveis, com carteira assinada. Vejo trabalhadores há 10 anos sem tirar férias, em que a relação com o contratante não é de autonomia, mas sim de subordinação. É um emprego disfarçado”, opina.

As profissões do futuro

Há uma década, as profissões abaixo ainda estavam “engatinhando” ou sequer existiam. Elas foram criadas conforme novas oportunidades do mercado de trabalho e servem de exemplo para o futuro do trabalho, conforme levantamento do site da Revista Fortune.

– Engenheiro e Operador de Drones;

– Especialistas em mídias sociais;

– Gestor de Sustentabilidade Corporativa e Responsabilidade Social;

– Professores de Educação Online;

– Mentores de tecnologia da inovação;

– Engenheiros de Tecnologia Médica;

– Profissionais de Robótica

Fonte: Gazeta do Povo LLUIS GENE/AFP

 


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