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No cenário global, atuar no Brasil é igual correr uma ‘ultramaratona’ com uma mala de pedras

O varejo brasileiro é um dos mais flexíveis, resilientes e determinados do mundo. Só isso pode explicar sua atuação e sobrevivência em um cenário dominado pela permanente instabilidade econômica e política; as mais altas taxas reais de juros do planeta; um complexo e insano sistema tributário; uma anacrônica e antiquada legislação trabalhista, com sindicatos de empregados defendendo ideias do passado e, para culminar, com entidades oficiais de representação setorial rivalizando com o pensamento retrógrado de tais sindicatos.

Quando a lógica global é o crescimento da participação dos omnicanais disponíveis para os consumidores 24×7, 365 dias por ano, os ultrapassados líderes imaginam que é possível cercear a liberdade de escolha e compra e impingir regulamentações de horários e jornadas de trabalho, esquecendo que o empoderado consumidor-cidadão tem o mercado global à sua disposição. Nada mais desconectado da realidade emergente.

O cenário desenha o crescimento da competitividade de forma inexorável pela combinação de vários fatores, entre eles o avanço da indústria em conexão direta com o mercado, com lojas exclusivas somadas ao uso do e-commerce e canais digitais de relacionamento, como feito por Apple, Samsung, Nespresso, Nike e muitas outras.

Para não falar dos serviços e produtos emergentes do ambiente digital, que enterram conceitos tradicionais e transformam o mercado, como Netflix e similares. Ao mesmo tempo em que corporações globais, para satisfazer consumidores ‘mais por menos’, multiplicam canais de vendas, desenvolvem novos formatos de lojas e marcas próprias, ampliam serviços e negócios, como fazem Casino, Carrefour, Walmart e Zara. Sem esquecer dos players digitais, como a Amazon e o Alibaba, que já têm market value muito superior a redes tradicionais com milhares de lojas.

Nesse cenário de competitividade global, atuar no Brasil significa competir em uma ultramaratona carregando uma mochila de pedras. Emergente em frangalhos da maior crise econômica que assolou o País, o varejo brasileiro deveria liderar o processo de reestruturação, para que possamos promover reformas que resgatem a capacidade competitiva. Nenhum outro setor tem a sensibilidade tão aguçada para as demandas do consumidor-cidadão e a visão crítica dos estragos que anos de desmandos impuseram ao País. E nunca o momento foi tão oportuno e decisivo para tal. Não é questão de opção. É questão de sobrevivência.

Fonte: Jornal DCI

Fundador da GS& Gouvêa de Souza e membro do IDV

Marcos Gouvêa de Souza

 


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